sábado, 30 de junho de 2012

"Pessoas De Braga"

O evento "Pessoas De Braga" aconteceu a 21 de Junho no café A Brasileira e contou com a presença de cerca de trinta convidados e três dos entrevistados para o blog: António Gonçalves, Amelinha Morais e José Barroso. O principal propósito deste evento, um serão intimista pleno de troca de experiências de vida, foi homenagear os bracarenses.
No final do "Pessoas De Braga" pretendemos que a mensagem de que os bracarenses são emblemáticos e especiais, são personalidades da cidade, do país e do mundo fosse clara. Homenagear os entrevistados (António Gonçalves, Família Ramos, José Manuel Mendes, Amelinha Morais, José Barroso, Felisbela Penha, Elsa Barreto), presentes e ausentes, foi, de facto, uma honra.
Uma semana depois do evento, queremos também deixar, mais uma vez, todos os devidos agradecimentos.
Agradecemos a disponibilidade de todos os entrevistados, a simpatia de todas as figuras bracarenses. Agradecemos a presença do Ricardo Silva, que tão depressa se prontificou a fazer parte deste evento. Agradecemos a todos aqueles que seguem o nosso blog e que acreditam no projecto. Agradecemos aos nossos parceiros e patrocinadores neste evento, Braga Capital Europeia da Juventude, café A Brasileira, o centro de cópias 17A, o Palcos Coutinho, a loja Só Prestígio, a loja Closed, a florista FlorTrofa e a Quinta do Palácio Rauliana. Agradecemos ao professor Paulo Salgado por todos os trabalhos propostos em aula e que nos fizeram compreender melhor a importância desta área, das Relações Públicas. E, no fundo, temos também de agradecer a nós mesmos, por tudo ter corrido pelo melhor e por construirmos uma verdadeira experiência de trabalho de grupo.


Fica ainda muito por contar, com a certeza de que os primeiros parágrafos da história das Pessoas De Braga continuarão a ser escritos no blog "De Braga". Aqui ficam algumas das sugestões de personalidades bracarenses ou locais de eleição, a explorar pelo blog, que pedimos que os presentes no evento anotassem:









O grupo: 
Adriana Correia 
Ana Sofia Dias 
Diogo Costa 
Liliana Moreira

terça-feira, 19 de junho de 2012

Evento "Pessoas De Braga"
21 de Junho, 21.30h, café A Brasileira


Parceiros e Patrocínios: Blog De Braga; Café A Brasileira; Braga Capital Europeia da Juventude; Centro de Cópias 17A; Loja Só Prestígio; Palcos Coutinho; Loja Closed; Universidade do Minho


Braga é uma cidade histórica, com uma cultura e características únicas. Entre tantos elementos que a distinguem, desde as suas paisagens, os seus monumentos e as suas tradições, estão as figuras bracarenses que se destacam nas mais variadas áreas.


Assim, pretendemos:
- Aproximar os bracarenses;
- Destacar um dos pontos que Braga tem de melhor: as suas pessoas;
- Homenagear figuras emblemáticas bracarenses.

Queremos cumprir os objectivos deste blog e levá-los mais além. Queremos continuar a conhecer os bracarenses. Queremos continuar a aproximar os bracarenses. Queremos homenagear os bracarenses!

Contamos com todos os bracarenses num evento que é para nós, que é De Braga!

O grupo: 
Adriana Correia 
Ana Sofia Dias 
Diogo Costa 
Liliana Moreira     

domingo, 10 de junho de 2012


Elsa Barreto
 
“Muitas vezes as pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”

Foi numa manhã de terça-feira que Elsa Barreto nos recebeu, entre croquis e amostras de tecido, no seu atelier, em plena Rua 31 de Janeiro, no centro da cidade de Braga. A estilista natural da cidade rapidamente se entregou a uma conversa informal, onde recordou um pouco o seu percurso, nos falou sobre a sua vida e projetos para o futuro. 
Sonhando ainda em criança com a criação de moda, Elsa Barreto sempre teve de lidar com o desconhecimento em relação à profissão que tanto ambicionava. “Muitas vezes as pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”. Apesar do estigma das outras pessoas, nunca desistiu do seu sonho, até que aos 14 anos descobre, ao ler um jornal, que iriam abrir no Porto escolas com cursos de estilismo, a oportunidade ideal para iniciar a sua carreira. “Fiquei muito, muito contente porque percebi que finalmente ia conseguir tirar aquele curso que eu tanto queria”. E assim começa a desenhar-se a carreira de uma promissora estilista…
Depois de terminar o curso na Academia de Moda do Porto, Elsa Barreto consegue, quase que de imediato, uma colocação numa empresa bracarense atualmente extinta. No início a jovem estilista dedicava-se à criação de uma linha de roupas para criança, homem e senhora. O facto de estar limitada na sua criatividade pelas linhas impostas pela empresa levou-a a criar a sua própria marca, algo que considera ser um processo natural para quem gosta daquilo que faz. “Isto foi um processo que foi crescendo dentro da minha cabeça, mas foi de um dia para o outro que eu me despedi.” Foi este rasgo de coragem que fez com que, em 1990, se criasse a marca ELSA BARRETO, bastante reconhecida no panorama da moda nacional.
Ciente das dificuldades que iria atravessar, “inclusive económicas”, nunca perdeu a determinação, pois “Quando temos a certeza que é realmente o que nos queremos, temos de lutar pelos nossos sonhos, sabendo que vamos ter muitas dificuldades à nossa frente, mas temos que ultrapassar”.
Inspirando-se na figura feminina, a estilista sempre criou não só com o intuito da comercialização, mas também para exprimir a sua veia criativa. O facto de se diferenciar, com peças que a faziam sentir bem consigo mesma, trouxeram à marca o reconhecimento desejado. O processo de construção da sua marca foi, pelas suas palavras, um processo demorado, mas onde tudo foi acontecendo naturalmente.
O reconhecimento e o crescente sucesso, para o qual afirma não ter tempo de pensar, não significa que se tenha desleixado na sua criação, pois “a todo o momento o meu trabalho está a ser julgado, as pessoas são cada vez mais exigentes”. É esta exigência por parte das suas clientes que a motiva a continuar a melhorar as suas criações e a manter o nível de satisfação em relação à sua marca. “E é bom, sentir que andamos aqui tantos anos e que afinal valeu a pena ou está a valer a pena”.






Quando questionada acerca dos projetos futuros, a nível profissional, Elsa Barreto confessa-nos ter em mente a criação de uma segunda linha, para a qual ainda não teve disponibilidade. O seu grande objetivo é fazer com que a marca se torne mais acessível e que possa ser vestida por qualquer pessoa. “Isso é um projeto que tem de ser feito, porque eu acho que está na altura de as pessoas vestirem Elsa Barreto no dia-a-dia”. Avança ainda que a internacionalização da marca é uma meta que pretende alcançar brevemente, mas que tem sido dificultada pelo complexo processo burocrático.
Instalada na sua cidade natal, Elsa Barreto define-a como uma “cidade muito estranha”, onde, ao invés do reconhecimento, sente apenas a inveja das pessoas. “Só sinto que as pessoas têm inveja, o que é muito mau”. No entanto, nunca pensou abandonar Braga, pois é aqui que estão as suas raízes e a sua estrutura familiar está concebida para a cidade de Braga.
A nível pessoal, destaca os seus filhos como o seu bem maior, “se eles estão bem eu estou bem”. É ainda a pensar neles que a estilista quebra muitas barreiras e segue em frente, de forma a lhes abrir o caminho para o futuro. “Os meus sonhos são a minha família e o meu trabalho. Não desejo bens materiais. Isso ajuda a viver, mas não é fundamental, não é para isso que eu trabalho, não é para aí que estão virados os meus sonhos”.
Elsa Barreto, uma jovem estilista bracarense, reconhecida por muitos. Simples na forma de ser e desejar. Uma mulher pragmática, igual a tantas outras, que almeja algo tão simples como a felicidade da sua família.

Liliana Moreira 
Diogo Morgado 

terça-feira, 5 de junho de 2012




A Senhora das Castanhas

“Venho para aqui por gosto...é o que me faz feliz!

Na Avenida Central de Braga, o mesmo Sol de que a Dona Felisbela se tenta proteger debaixo de toldes, chama a atenção para si e para a sua banca. A bijuteria reluz, numa sexta-feira ensolarada e de calor.
Com a boa disposição que tão bem a caracteriza, a vendedora confessa que gosta de partilharas histórias e ser reconhecida. Sem formalismos, a entrevista parece uma amena conversa entre pessoas que já se conhecem há muito tempo.
Assim é a Dona Felisbela, simpática e acolhedora com os seus 81 anos de pura vitalidade, que se reflectem na actividade profissional que ainda desempenha. A venda de castanhas no Inverno e de bijuterias nos restantes meses do ano ocupa-lhe a vida. Conhecida por todos como “A Senhora das Castanhas”, mantém vigorosamente o seu posto de venda na Avenida Central de Braga há 15 anos.
Na verdade, não se vê a fazer mais nada na vida: “é isto que me faz feliz”. Por essa razão, ainda que o negócio se tenha ressentido com a crise, Felisbela não hesita em afirmar que só abandonará o que faz quando falecer.
Mesmo quando está a chover, cenário normal no Inverno bracarense, a “senhora das castanhas” sai de casa em direcção ao seu posto de trabalho. Fá-lo puramente pelo gozo que lhe dá, pois não ganha muito com a actividade: “dá para o café e pouco mais”.
Desde os 27 anos que se dedica à “venda”, desde a fruta aos doces, das castanhas à bijuteria. Habituou-se desde cedo ao carinho das pessoas e já é algo de que não prescinde. As pessoas, a atenção e o reconhecimento que estas lhe dão são a sua força. Felisbela conta, com orgulho, que já tirou fotografias com Bárbara Guimarães e que as duas estiveram “a conversar um par de minutos”. E são muitos os que a interpelam para o mesmo. Apesar disto, ainda acalenta o desejo de ir à televisão para contar as suas histórias.
Os anos de trabalho na Avenida Central proporcionaram a Felisbela relações de amizade com os demais comerciantes da zona. Há dois aspectos importantes que destaca: a amizade e a camaradagem. “Eles guardam-me as coisas, são muito meus amigos”, conclui.
No alto posto que a idade lhe confere, a “senhora das castanhas” afirma que é muito respeitada por todos, especialmente pelos sem-abrigo, dizendo que nem permite que lhe “refutem cachimbo”, isto é, que lhe refilem.


 




“Tenho 11 filhos e 20 netos…Qual deles o mais lindo!”

A octogenária tem ainda uma rotina muito atarefada. A sua jornada de trabalho começa por volta das dez horas da manhã e só termina ao fim do dia. Diz-se disponível para o cliente durante todo este tempo e acrescenta que adora o contacto com os jovens, com quem gosta de conversar. Talvez por isso o seu espaço favorito na cidade, embora salientado que tudo é especial, seja o café A Brasileira: “é um ambiente bonito, gosto muito de estar na esplanada a observar as pessoas e a energia da juventude”.
Mãe de 11 filhos e avó de 20 netos, de quem fala com muito amor e orgulho, interrogando-se sobre “qual deles o mais lindo”, a comerciante diz que conta com o apoio de todos para prosseguir com o negócio. Embora se assuma como uma senhora autónoma, vive com uma das filhas e aceita a ajuda de outro dos seus filhos, Francisco, na actividade das vendas.
Felisbela exprime toda a sua vontade de viver. Quer experimentar “muitas coisas, novas vivências… novos sabores”, diz, entre gargalhadas, olhando a geladaria em frente. É este discurso enérgico, informal e divertido que caracteriza “A Senhora das Castanhas”, encantadora, trabalhadora e com uma fúria de se manter activa aos 81 anos.



Adriana Correia
Liliana Moreira

sábado, 2 de junho de 2012



            JOSÉ BARROSO

      “Quando o Braga não está a ganhar, eu quero é entrar lá para dentro”

Numa sala no interior de um palco onde foi imensamente feliz, o Estádio 1º de Maio em Braga, José Barroso recebe-nos com boa disposição para nos falar um pouco de si. Inevitavelmente, o ex-futebolista sentia-se em casa, junto daquele que foi o estádio onde passou os melhores momentos da sua carreira.
Ex-jogador do Sporting Clube de Braga, Rio Ave, Futebol Clube do Porto e Académica, lembra que na altura em que começou a jogar tudo era diferente: “Dantes jogava-se o chamado futebol de rua, porque havia poucos carros e poucos campos onde jogar”. Passando por vários sacrifícios que se prendiam com as dificuldades da época, José Barroso estudou até ao sexto ano, trabalhando já desde os nove anos de idade. “Comecei a jogar no Braga aos treze anos, nos iniciados, e continuei até aos seniores, onde comecei a jogar a nível profissional”.
Recordando os tempos de jogador amador, Barroso aponta para a dificuldade que é trabalhar até chegar ao nível que foi atingido. “Às vezes chegava a casa às 23h, mas quem gosta tem que sofrer”.
Todo o trabalho e esforço valeram a pena. Campeão nacional pelo F.C. Porto, Barroso, detentor de um forte pé-direito, nunca esqueceu os vinte e três anos com o símbolo do Braga ao peito. Sem deixar de valorizar as suas campanhas por outros clubes, afirma: “Sou um jogador da casa, gosto do clube, e o Braga sempre foi o meu clube e há-de ser, nunca vai mudar”.
Reconhecido e acarinhado, não só pelos bracarenses, mas também pelo resto do país, Barroso relembra com orgulho os anos que passou no clube de Braga.
Apesar de todos os bons momentos, dois acontecimentos que mais o chocaram na sua vida estavam relacionados com o futebol: a morte do amigo Pedro Lavoura, num acidente de viação, e de Miklos Feher. Estes foram os casos mais tristes e difíceis com que teve de lidar durante o seu percurso, já que nunca sofreu uma lesão grave.
Satisfeito pelo facto de não ter enfrentado problemas físicos, que por vezes acabam com a carreira dos atletas, Barroso sempre afastou os pensamentos negativos. “Eu nunca gostei muito de pensar nisso, pois quando se pensa muito, parece que as coisas vêm mais rápido”.
Nunca tendo jogado fora do país, Barroso sempre se fez acompanhar pela sua família, a sua esposa e as duas filhas. Recordando como sempre conciliou a carreira e a vida pessoal, guarda uma memória muito particular: “A minha filha mais velha nasceu quando eu estava a jogar pela Selecção Nacional”.



















“Sinto-me muito feliz com o que fiz”

Natural da freguesia de São Mamede, na cidade de Braga, o agora treinador de futebol, embora sem exercer funções actualmente, deixa transparecer a necessidade e o sentimento de viver com as suas raízes, com os seus amigos de infância, que considera serem os verdadeiros. “Infelizmente, há muita gente que com a fama muda muito e depois acaba por pagar cara essa situação mais tarde. Nunca mudei nem irei mudar”.
Com o desejo de ficar sempre ligado ao desporto rei, o ex-futebolista está prestes a concretizar um dos seus sonhos de vida, que é a criação de uma escolinha de futebol na sua terra natal. O seu principal objectivo é ensinar aos futuros novos craques aquilo que aprendeu durante a sua carreira.
Ambicionando sempre mais para o seu futuro, para todos os seus projetos, José Barroso olha para trás e sente que pode, sem dúvida, dizer: “Sinto-me muito feliz com o que fiz”.

Diogo Costa 
Liliana Moreira