Elsa
Barreto
“Muitas vezes as pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”
Foi numa
manhã de terça-feira que Elsa Barreto nos recebeu, entre croquis e amostras de
tecido, no seu atelier, em plena Rua 31 de Janeiro, no centro da cidade de
Braga. A estilista natural da cidade rapidamente se entregou a uma conversa
informal, onde recordou um pouco o seu percurso, nos falou sobre a sua vida e
projetos para o futuro.
Sonhando
ainda em criança com a criação de moda, Elsa Barreto sempre teve de lidar com o
desconhecimento em relação à profissão que tanto ambicionava. “Muitas vezes as
pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”. Apesar do estigma das outras
pessoas, nunca desistiu do seu sonho, até que aos 14 anos descobre, ao ler um
jornal, que iriam abrir no Porto escolas com cursos de estilismo, a
oportunidade ideal para iniciar a sua carreira. “Fiquei muito, muito contente
porque percebi que finalmente ia conseguir tirar aquele curso que eu tanto queria”.
E assim começa a desenhar-se a carreira de uma promissora estilista…
Depois de
terminar o curso na Academia de Moda do Porto, Elsa Barreto consegue, quase que
de imediato, uma colocação numa empresa bracarense atualmente extinta. No
início a jovem estilista dedicava-se à criação de uma linha de roupas para
criança, homem e senhora. O facto de estar limitada na sua criatividade pelas
linhas impostas pela empresa levou-a a criar a sua própria marca, algo que
considera ser um processo natural para quem gosta daquilo que faz. “Isto foi um
processo que foi crescendo dentro da minha cabeça, mas foi de um dia para o
outro que eu me despedi.” Foi este rasgo de coragem que fez com que, em 1990,
se criasse a marca ELSA BARRETO, bastante reconhecida no panorama da moda
nacional.
Ciente das
dificuldades que iria atravessar, “inclusive económicas”, nunca perdeu a
determinação, pois “Quando temos a certeza que é realmente o que nos queremos,
temos de lutar pelos nossos sonhos, sabendo que vamos ter muitas dificuldades à
nossa frente, mas temos que ultrapassar”.
Inspirando-se
na figura feminina, a estilista sempre criou não só com o intuito da
comercialização, mas também para exprimir a sua veia criativa. O facto de se
diferenciar, com peças que a faziam sentir bem consigo mesma, trouxeram à marca
o reconhecimento desejado. O processo de construção da sua marca foi, pelas
suas palavras, um processo demorado, mas onde tudo foi acontecendo
naturalmente.
O
reconhecimento e o crescente sucesso, para o qual afirma não ter tempo de
pensar, não significa que se tenha desleixado na sua criação, pois “a todo o
momento o meu trabalho está a ser julgado, as pessoas são cada vez mais
exigentes”. É esta exigência por parte das suas clientes que a motiva a
continuar a melhorar as suas criações e a manter o nível de satisfação em
relação à sua marca. “E é bom, sentir que andamos aqui tantos anos e que afinal
valeu a pena ou está a valer a pena”.



Quando
questionada acerca dos projetos futuros, a nível profissional, Elsa Barreto
confessa-nos ter em mente a criação de uma segunda linha, para a qual ainda não
teve disponibilidade. O seu grande objetivo é fazer com que a marca se torne
mais acessível e que possa ser vestida por qualquer pessoa. “Isso é um projeto
que tem de ser feito, porque eu acho que está na altura de as pessoas vestirem
Elsa Barreto no dia-a-dia”. Avança ainda que a internacionalização da marca é
uma meta que pretende alcançar brevemente, mas que tem sido dificultada pelo
complexo processo burocrático.
Instalada
na sua cidade natal, Elsa Barreto define-a como uma “cidade muito estranha”,
onde, ao invés do reconhecimento, sente apenas a inveja das pessoas. “Só sinto
que as pessoas têm inveja, o que é muito mau”. No entanto, nunca pensou
abandonar Braga, pois é aqui que estão as suas raízes e a sua estrutura familiar
está concebida para a cidade de Braga.
A nível
pessoal, destaca os seus filhos como o seu bem maior, “se eles estão bem eu
estou bem”. É ainda a pensar neles que a estilista quebra muitas barreiras e
segue em frente, de forma a lhes abrir o caminho para o futuro. “Os meus sonhos
são a minha família e o meu trabalho. Não desejo bens materiais. Isso ajuda a
viver, mas não é fundamental, não é para isso que eu trabalho, não é para aí
que estão virados os meus sonhos”.
Elsa
Barreto, uma jovem estilista bracarense, reconhecida por muitos. Simples na
forma de ser e desejar. Uma mulher pragmática, igual a tantas outras, que
almeja algo tão simples como a felicidade da sua família.
Liliana Moreira
Diogo Morgado