domingo, 10 de junho de 2012


Elsa Barreto
 
“Muitas vezes as pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”

Foi numa manhã de terça-feira que Elsa Barreto nos recebeu, entre croquis e amostras de tecido, no seu atelier, em plena Rua 31 de Janeiro, no centro da cidade de Braga. A estilista natural da cidade rapidamente se entregou a uma conversa informal, onde recordou um pouco o seu percurso, nos falou sobre a sua vida e projetos para o futuro. 
Sonhando ainda em criança com a criação de moda, Elsa Barreto sempre teve de lidar com o desconhecimento em relação à profissão que tanto ambicionava. “Muitas vezes as pessoas nem percebiam aquilo que eu queria ser”. Apesar do estigma das outras pessoas, nunca desistiu do seu sonho, até que aos 14 anos descobre, ao ler um jornal, que iriam abrir no Porto escolas com cursos de estilismo, a oportunidade ideal para iniciar a sua carreira. “Fiquei muito, muito contente porque percebi que finalmente ia conseguir tirar aquele curso que eu tanto queria”. E assim começa a desenhar-se a carreira de uma promissora estilista…
Depois de terminar o curso na Academia de Moda do Porto, Elsa Barreto consegue, quase que de imediato, uma colocação numa empresa bracarense atualmente extinta. No início a jovem estilista dedicava-se à criação de uma linha de roupas para criança, homem e senhora. O facto de estar limitada na sua criatividade pelas linhas impostas pela empresa levou-a a criar a sua própria marca, algo que considera ser um processo natural para quem gosta daquilo que faz. “Isto foi um processo que foi crescendo dentro da minha cabeça, mas foi de um dia para o outro que eu me despedi.” Foi este rasgo de coragem que fez com que, em 1990, se criasse a marca ELSA BARRETO, bastante reconhecida no panorama da moda nacional.
Ciente das dificuldades que iria atravessar, “inclusive económicas”, nunca perdeu a determinação, pois “Quando temos a certeza que é realmente o que nos queremos, temos de lutar pelos nossos sonhos, sabendo que vamos ter muitas dificuldades à nossa frente, mas temos que ultrapassar”.
Inspirando-se na figura feminina, a estilista sempre criou não só com o intuito da comercialização, mas também para exprimir a sua veia criativa. O facto de se diferenciar, com peças que a faziam sentir bem consigo mesma, trouxeram à marca o reconhecimento desejado. O processo de construção da sua marca foi, pelas suas palavras, um processo demorado, mas onde tudo foi acontecendo naturalmente.
O reconhecimento e o crescente sucesso, para o qual afirma não ter tempo de pensar, não significa que se tenha desleixado na sua criação, pois “a todo o momento o meu trabalho está a ser julgado, as pessoas são cada vez mais exigentes”. É esta exigência por parte das suas clientes que a motiva a continuar a melhorar as suas criações e a manter o nível de satisfação em relação à sua marca. “E é bom, sentir que andamos aqui tantos anos e que afinal valeu a pena ou está a valer a pena”.






Quando questionada acerca dos projetos futuros, a nível profissional, Elsa Barreto confessa-nos ter em mente a criação de uma segunda linha, para a qual ainda não teve disponibilidade. O seu grande objetivo é fazer com que a marca se torne mais acessível e que possa ser vestida por qualquer pessoa. “Isso é um projeto que tem de ser feito, porque eu acho que está na altura de as pessoas vestirem Elsa Barreto no dia-a-dia”. Avança ainda que a internacionalização da marca é uma meta que pretende alcançar brevemente, mas que tem sido dificultada pelo complexo processo burocrático.
Instalada na sua cidade natal, Elsa Barreto define-a como uma “cidade muito estranha”, onde, ao invés do reconhecimento, sente apenas a inveja das pessoas. “Só sinto que as pessoas têm inveja, o que é muito mau”. No entanto, nunca pensou abandonar Braga, pois é aqui que estão as suas raízes e a sua estrutura familiar está concebida para a cidade de Braga.
A nível pessoal, destaca os seus filhos como o seu bem maior, “se eles estão bem eu estou bem”. É ainda a pensar neles que a estilista quebra muitas barreiras e segue em frente, de forma a lhes abrir o caminho para o futuro. “Os meus sonhos são a minha família e o meu trabalho. Não desejo bens materiais. Isso ajuda a viver, mas não é fundamental, não é para isso que eu trabalho, não é para aí que estão virados os meus sonhos”.
Elsa Barreto, uma jovem estilista bracarense, reconhecida por muitos. Simples na forma de ser e desejar. Uma mulher pragmática, igual a tantas outras, que almeja algo tão simples como a felicidade da sua família.

Liliana Moreira 
Diogo Morgado 

Nenhum comentário:

Postar um comentário