Helena Pina Vaz
Habitat for Humanity Portugal
Março foi
impiedoso nas chuvas. Em Braga, para quem se protegia confortavelmente em casa,
as gotas de água limitavam-se a bater na janela, produzindo quase uma música
que até nos agrada, por estarmos ali, no nosso lar, amparados. Mas para quem
não tem uma casa habitável, as gostas de água fustigam tortuosamente aquele que
tem de ser o seu lar.
Uma
habitação capaz de nos dar as condições básicas de vida e o conforto de um lar
é o objectivo de trabalho da Habitat for Humanity Portugal, presidida por
Helena Pina Vaz. Esta bracarense está na direcção da filial portuguesa da
Habitat for Humanity Internacional, sediada em Braga, no Campo da Vinha.
O
escritório da Habitat, na pequena sala 8 do 2º andar do edifício que acolhe os
armazéns Marques Soares, é simples e mobilado apenas com o indispensável. Para
esta associação sem fins lucrativos, não faria sentido o luxo: basta-lhe
condições para prosseguir o seu trabalho. No entanto, as condições começam a
ser parcas, tal como explica Helena Pina Vaz: “muitas vezes não temos onde
reunir com as nossas equipas de voluntários, porque a sala é pequena” e “temos
dificuldade em armazenar algumas coisas, porque todos os espaços estão já
aproveitados”.
Apesar
desta contrariedade, a Habitat continua com persistência e determinação na
construção ou reabilitação de habitações para famílias carenciadas. São os
sorrisos destas famílias, quando recebem as suas casas, que movem a associação.
Helena Pina
Vaz, que tem um percurso profissional associado ao ensino e à docência, sendo
actualmente membro da direcção de uma escola inglesa em Braga, começou como
voluntária nos programas de construção da Habitat.
Hoje,
apesar de estar já na direcção da associação, continua a por “mãos-à-obra”,
evidenciando como é importante passar da indignação à acção e como a
organização e a entreajuda são fundamentais para tal.
A lógica de
voluntariado é a base de todo o trabalho da Habitat Portugal, que segue as
pisadas da Habitat Internacional. O conceito de Global Village da associação
forma equipas de voluntários internacionais que, muitas vezes, são a única
força de trabalho nas construções em Portugal.
Helena Pina
Vaz também já se envolveu em diversas equipas voluntárias para a construção de
habitações em países com graves dificuldades e condições de vida. Destas
experiências no estrangeiro a presidente da Habitat recorda como “apenas quatro
paredes de tijolo e um telhado básico são uma casa deslumbrante para quem não
tem nada”.
Construindo
de acordo com o contexto de cada sociedade, a Habitat tem o cuidado de não
identificar a casa que edificou e inseri-la o melhor possível no meio
envolvente. Ao dar a cada família uma habitação que responda às suas
necessidades, a associação dá o primeiro passo na construção de uma nova vida.
