sábado, 2 de junho de 2012



            JOSÉ BARROSO

      “Quando o Braga não está a ganhar, eu quero é entrar lá para dentro”

Numa sala no interior de um palco onde foi imensamente feliz, o Estádio 1º de Maio em Braga, José Barroso recebe-nos com boa disposição para nos falar um pouco de si. Inevitavelmente, o ex-futebolista sentia-se em casa, junto daquele que foi o estádio onde passou os melhores momentos da sua carreira.
Ex-jogador do Sporting Clube de Braga, Rio Ave, Futebol Clube do Porto e Académica, lembra que na altura em que começou a jogar tudo era diferente: “Dantes jogava-se o chamado futebol de rua, porque havia poucos carros e poucos campos onde jogar”. Passando por vários sacrifícios que se prendiam com as dificuldades da época, José Barroso estudou até ao sexto ano, trabalhando já desde os nove anos de idade. “Comecei a jogar no Braga aos treze anos, nos iniciados, e continuei até aos seniores, onde comecei a jogar a nível profissional”.
Recordando os tempos de jogador amador, Barroso aponta para a dificuldade que é trabalhar até chegar ao nível que foi atingido. “Às vezes chegava a casa às 23h, mas quem gosta tem que sofrer”.
Todo o trabalho e esforço valeram a pena. Campeão nacional pelo F.C. Porto, Barroso, detentor de um forte pé-direito, nunca esqueceu os vinte e três anos com o símbolo do Braga ao peito. Sem deixar de valorizar as suas campanhas por outros clubes, afirma: “Sou um jogador da casa, gosto do clube, e o Braga sempre foi o meu clube e há-de ser, nunca vai mudar”.
Reconhecido e acarinhado, não só pelos bracarenses, mas também pelo resto do país, Barroso relembra com orgulho os anos que passou no clube de Braga.
Apesar de todos os bons momentos, dois acontecimentos que mais o chocaram na sua vida estavam relacionados com o futebol: a morte do amigo Pedro Lavoura, num acidente de viação, e de Miklos Feher. Estes foram os casos mais tristes e difíceis com que teve de lidar durante o seu percurso, já que nunca sofreu uma lesão grave.
Satisfeito pelo facto de não ter enfrentado problemas físicos, que por vezes acabam com a carreira dos atletas, Barroso sempre afastou os pensamentos negativos. “Eu nunca gostei muito de pensar nisso, pois quando se pensa muito, parece que as coisas vêm mais rápido”.
Nunca tendo jogado fora do país, Barroso sempre se fez acompanhar pela sua família, a sua esposa e as duas filhas. Recordando como sempre conciliou a carreira e a vida pessoal, guarda uma memória muito particular: “A minha filha mais velha nasceu quando eu estava a jogar pela Selecção Nacional”.



















“Sinto-me muito feliz com o que fiz”

Natural da freguesia de São Mamede, na cidade de Braga, o agora treinador de futebol, embora sem exercer funções actualmente, deixa transparecer a necessidade e o sentimento de viver com as suas raízes, com os seus amigos de infância, que considera serem os verdadeiros. “Infelizmente, há muita gente que com a fama muda muito e depois acaba por pagar cara essa situação mais tarde. Nunca mudei nem irei mudar”.
Com o desejo de ficar sempre ligado ao desporto rei, o ex-futebolista está prestes a concretizar um dos seus sonhos de vida, que é a criação de uma escolinha de futebol na sua terra natal. O seu principal objectivo é ensinar aos futuros novos craques aquilo que aprendeu durante a sua carreira.
Ambicionando sempre mais para o seu futuro, para todos os seus projetos, José Barroso olha para trás e sente que pode, sem dúvida, dizer: “Sinto-me muito feliz com o que fiz”.

Diogo Costa 
Liliana Moreira 

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