JOSÉ BARROSO
“Quando o
Braga não está a ganhar, eu quero é entrar lá para dentro”
Numa sala no interior de
um palco onde foi imensamente feliz, o Estádio 1º de Maio em Braga, José
Barroso recebe-nos com boa disposição para nos falar um pouco de si. Inevitavelmente,
o ex-futebolista sentia-se em casa, junto daquele que foi o estádio onde passou
os melhores momentos da sua carreira.
Ex-jogador do Sporting
Clube de Braga, Rio Ave, Futebol Clube do Porto e Académica, lembra que na
altura em que começou a jogar tudo era diferente: “Dantes jogava-se o chamado
futebol de rua, porque havia poucos carros e poucos campos onde jogar”.
Passando por vários sacrifícios que se prendiam com as dificuldades da época,
José Barroso estudou até ao sexto ano, trabalhando já desde os nove anos de
idade. “Comecei a jogar no Braga aos treze anos, nos iniciados, e continuei até
aos seniores, onde comecei a jogar a nível profissional”.
Recordando os tempos de
jogador amador, Barroso aponta para a dificuldade que é trabalhar até chegar ao
nível que foi atingido. “Às vezes chegava a casa às 23h, mas quem gosta tem que
sofrer”.
Todo o trabalho e esforço
valeram a pena. Campeão nacional pelo F.C. Porto, Barroso, detentor de um forte
pé-direito, nunca esqueceu os vinte e três anos com o símbolo do Braga ao
peito. Sem deixar de valorizar as suas campanhas por outros clubes, afirma:
“Sou um jogador da casa, gosto do clube, e o Braga sempre foi o meu clube e
há-de ser, nunca vai mudar”.
Reconhecido e acarinhado,
não só pelos bracarenses, mas também pelo resto do país, Barroso relembra com
orgulho os anos que passou no clube de Braga.
Apesar de todos os bons
momentos, dois acontecimentos que mais o chocaram na sua vida estavam
relacionados com o futebol: a morte do amigo Pedro Lavoura, num acidente de
viação, e de Miklos Feher. Estes foram os casos mais tristes e difíceis com que
teve de lidar durante o seu percurso, já que nunca sofreu uma lesão grave.
Satisfeito pelo facto de não
ter enfrentado problemas físicos, que por vezes acabam com a carreira dos
atletas, Barroso sempre afastou os pensamentos negativos. “Eu nunca gostei
muito de pensar nisso, pois quando se pensa muito, parece que as coisas vêm
mais rápido”.
Nunca tendo jogado fora
do país, Barroso sempre se fez acompanhar pela sua família, a sua esposa e as
duas filhas. Recordando como sempre conciliou a carreira e a vida pessoal,
guarda uma memória muito particular: “A minha filha mais velha nasceu quando eu
estava a jogar pela Selecção Nacional”.
Natural da freguesia de
São Mamede, na cidade de Braga, o agora treinador de futebol, embora sem
exercer funções actualmente, deixa transparecer a necessidade e o sentimento de
viver com as suas raízes, com os seus amigos de infância, que considera serem
os verdadeiros. “Infelizmente, há muita gente que com a fama muda muito e
depois acaba por pagar cara essa situação mais tarde. Nunca mudei nem irei
mudar”.
Com o desejo de ficar
sempre ligado ao desporto rei, o ex-futebolista está prestes a concretizar um
dos seus sonhos de vida, que é a criação de uma escolinha de futebol na sua
terra natal. O seu principal objectivo é ensinar aos futuros novos craques
aquilo que aprendeu durante a sua carreira.
Ambicionando sempre mais
para o seu futuro, para todos os seus projetos, José Barroso olha para trás e
sente que pode, sem dúvida, dizer: “Sinto-me muito feliz com o que fiz”.
Diogo Costa
Liliana Moreira

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